sexta-feira, 29 de outubro de 2010

"A.W Tozer - 5 Votos para se obter poder espiritual - 3º VOTO "

Terceiro Voto: Nunca se Defenda

Todos nós nascemos com o desejo de defender-nos. E caso insista em defender a si mes­mo, Deus permitirá que você o faça. Porém, se você entregar sua defesa a Deus, então Ele o defenderá. Ele disse a Moisés certa vez: "Serei inimigo dos teus inimigos e adversário dos teus adversários" (Ex 23.22).

Muito tempo atrás, o Senhor e eu chega­mos juntos ao capítulo 23 do livro de Êxo­do, e Ele me mostrou essa passagem. Já faz trinta anos que ela tem sido uma fonte de bênçãos indizíveis para mim. Não tenho de lutar. O Senhor é Quem luta por mim. E Ele certamente fará o mesmo por você. Ele será o Inimigo dos seus inimigos e Adversário de seus adversários, e você nunca mais precisará defender a si mesmo.

O que defendemos? Bem, defendemos nosso serviço e, particularmente, defende­mos nossa reputação. Sua reputação é o que os outros pensam que você é, e se surgir al­guma história sobre você, a grande tentação é tentar correr para acabar com ela. No en­tanto, como você bem sabe, tentar chegar até a fonte de uma história assim é uma tarefa inútil. Absolutamente inútil! E como tentar achar o passarinho depois de ter encontrado uma pena no gramado. Você não poderá fazer isso. Porém, se se voltar completamente ao Senhor, Ele o defenderá completamente e providenciará para que ninguém lhe cau­se dano. "Toda arma forjada contra ti não prosperará", diz o Senhor, "toda língua que ousar contra ti em juízo, tu a condenarás" (Is 54.17).

Henry Suso foi um grande crente em dias passados. Um dia, ele estava buscando o que alguns crentes têm-me dito que também estão buscando: conhecer melhor a Deus. Vamos colocar isso nestes termos: você está procu­rando ter um despertamento religioso no ín­timo de seu espírito que o leve para as coisas profundas de Deus. Bem, quando Henry Suso estava buscando a Deus, pessoas começaram a contar histórias más sobre ele, e isso o entris­teceu tanto que ele chorou lágrimas amargas e sentiu grande mágoa no coração.

Então, um dia, ele estava olhando pela janela e viu um cão brincando no terraço. O animal tinha um trapo que jogava por cima de si, e tornava a alcançá-lo apanhando-o com os dentes, e corria e jogava, e corria e jo­gava muitas vezes. Então Deus disse a Henry Suso: "Aquele trapo é sua reputação, e estou deixando que os cães do pecado rasguem sua reputação em pedaços e a lancem por terra para seu próprio bem. Um dia desses, as coisas mudarão".

E as coisas mudaram. Não demorou muito tempo até que os indivíduos que estavam atacando a reputação de Suso ficassem con­fundidos, e ele foi elevado a um lugar que o transformou numa autoridade em seus dias e numa grande bênção até hoje para aqueles que cantam seus hinos e lêem suas obras.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

"A.W Tozer - 5 Votos para se obter poder espiritual - 2º VOTO "

Segundo Voto: Não Seja Dono de Coisa Alguma

Com isso, não quero dizer que não possamos possuir coisas. Quero dizer que devemos ser libertos do senso de possuí-las. Esse senso de posse é o que nos embaraça. Todos os bebês nascem com as mãozinhas fechadas, e isso me parece dizer: "Isto é meu!" Uma das primeiras coisas que eles dizem é "meu", com voz irada. Esse senso de "isto é meu!" é muito prejudicial para o espírito. Se puder livrar-se disso, para que não tenha mais o sentido de posse sobre qualquer coisa, você sentirá grande liberdade em sua vida.

Não pense com isso que você precisa ven­der tudo quanto possui e distribuir como ca­ridade. Não, Deus permitirá que você tenha seu carro e seus negócios, sua profissão e sua posição, qualquer que ela seja, contanto que entenda que isso não é seu, em absoluto, mas Dele, e que tudo quanto está fazendo é apenas trabalhando para Ele. Então, poderá estar tranqüilo em relação a tudo isso, pois nunca precisamos nos preocupar por perder o que pertence a outra pessoa. Se essas coisas forem suas, você estará sempre olhando para as mãos para ver se ainda estão ali, mas se forem de Deus, já não precisa se preocupar com elas.

Permita-me apontar-lhe algumas das coisas que você tem de entregar a Deus. Suas posses são uma dessas coisas. Alguns dos queridos filhos do Senhor estão sendo mantidos para trás porque existe uma bola e uma corrente presa em suas pernas. Se for um homem, pode ser seu luxuoso carro ou a suntuosa casa. Se for uma mulher, talvez sejam suas louças de porcelana ou seus móveis estilo Luiz XV, e tudo o mais. Vamos considerar um precioso vaso como exemplo. Ali está ele, e se alguém batesse nele e o quebrasse, seu pobre dono provavelmente perderia cinco anos de sua vida!

sábado, 23 de outubro de 2010

"A.W Tozer - 5 Votos para se obter poder espiritual - 1º VOTO "

Primeiro Voto: Trate Seriamente com o Pecado

O pecado tem sido disfarçado nestes dias, aparecendo com novos nomes e caras. Você pode estar sendo exposto a esse fenômeno na escola. O pecado é chamado por diversos nomes enfeitados - qualquer nome, menos pelo que ele realmente é. Por exemplo, os homens já não ficam mais sob convicção de pecados; eles têm um complexo de culpa. Em lugar de confessar suas culpas a Deus, para se livrarem delas, deitam-se num divã e tentam relatar o que sentem a um homem que deve conhecer melhor tudo sobre eles. Após algum tempo, a resposta dada é que eles foram profundamente desapontados quando tinham dois anos, ou alguma coisa semelhante. Supõe-se que isso os fará sentirem-se melhor.

Tudo isso é ridículo, porque o pecado é ainda o mesmo antigo inimigo da alma. Ele nunca foi alterado. Precisamos tratar firme­mente com o pecado em nossa vida. Lembremo-nos sempre disso. "O reino de Deus não é comida nem bebida", disse o apóstolo Paulo, "mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo" (Rm 14.17). A justiça repousa à porta do reino de Deus. "A alma que pecar, essa morrerá" (Ez 18. 4, 20).

Não estou pregando a perfeição sem pe­cado. Antes, quero dizer que todo pecado conhecido deve ser nomeado, identificado e repudiado, e que devemos confiar em Deus para nos libertar dele, para que não exista qualquer pecado consciente, deliberado em qualquer parte de nossa vida. E absolutamen­te necessário que façamos isso, porque Deus é um Deus santo, e o pecado está no trono do mundo.

Portanto, não chame seus pecados por algum outro nome. Se você é invejoso, chame-o de inveja. Se você tem a tendência à autocomiseração e a sentir que não é apre­ciado, mas é como uma flor que nasce para morrer despercebida, a desgastar sua doçura no ar do deserto, chame esse pecado pelo que ele é: autopiedade.

Também há o ressentimento. Se você está ressentido, admita-o. Tenho conhecido pes­soas que vivem num estado de indignação furiosa a maior parte do tempo. Conheço um pregador que age como uma galinha lançada fora do ninho: ele fica correndo em todas as direções queixando-se e murmurando - al­guém está sempre o fazendo errar. Ora, caso você tenha esse mesmo "espírito", tem de tratar com ele imediatamente. Você precisa livrar-se disso. O sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo o pecado. Em lugar de tentar disfarçar o pecado ou procurar uma tradução grega opcional em algum lugar sob a qual ocultá-lo, chame-o por seu nome correto e livre-se dele pela graça de Deus.

Há também o mau humor. Não o cha­me de indignação. Não tente chamá-lo de algum outro nome. Chame-o pelo que ele é. Porque, se você tem mau humor, ou você se desfaz dele ou ele desfará muito de sua espiritualidade e alegria.

Por conseguinte, tratemos do pecado com seriedade. Sejamos perfeitamente cândidos. Deus ama pessoas cândidas.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

"O Novo Nascimento" John Wesley


O Novo Nascimento

John Wesley

"Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo" (João 3:7)

1. Se alguma doutrina, dentro de toda a extensão do Cristianismo, pode ser propriamente denominada fundamental, essas duas, sem dúvida são elas: a doutrina da justificação, e aquela do novo nascimento. A primeira relativa àquele grande trabalho o qual Deus operou por nós, perdoando nossos pecados; a última, ao grande trabalho que Deus operou em nós, renovando nossa natureza caída. Na ordem do tempo, nenhuma delas é colocada antes da outra: No momento em que nós estamos justificados, pela graça de Deus, através da redenção que está em Jesus, nós somos também "nascidos do Espírito", mas, em ordem de pensamento, como está denominada, justificação precede o novo nascimento. Nós, primeiro, temos em mente, sua ira sendo desviada, e, então, seu Espírito operando em nossos corações.

2. De quão grande importância, então, deve ser para todos os filhos do homem, entenderem completamente essas doutrinas fundamentais! Da total convicção disso, muitos homens excelentes têm escrito bastante largamente a respeito da justificação, explicando cada ponto relativo a ela, e abrindo as Escrituras que tratam a esse respeito. Muitos, igualmente, têm escrito sobre o novo nascimento: E alguns deles, largamente suficiente; mas, ainda assim, não tão claramente como poderia ser desejado; nem tão profundamente ou corretamente; tendo dado um relato obscuro, e de difícil compreensão, assim como, insignificante e superficial. Entretanto, um completo, e, ao mesmo tempo, claro relato do novo nascimento parece ser ainda esperado; de tal maneira, que possa ser capaz de nos dar uma resposta satisfatória a essas três questões:

I. Por que nós devemos nascer de novo? Qual o fundamento da doutrina do novo nascimento?

II. Como nós devemos nascer de novo? Qual a natureza do novo nascimento?

III. Para que nós devemos nascer novamente? Para que finalidade ele é necessário?

IV. Essas questões, pela assistência de Deus, eu devo, responder, brevemente e plenamente; e, então, acrescentar algumas poucas inferências as quais naturalmente se seguem:

I

(1) Por que nós devemos nascer de novo? Qual o fundamento dessa doutrina?

O alicerce dela é tão remoto quanto a criação do mundo; num relato bíblico, a respeito do que nós lemos: (Gen. 1:26,27) "Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar; sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou". — Não somente, em sua imagem natural, um retrato de sua própria imortalidade; uma existência espiritual, Doda com entendimento, liberdade de vontade,e afecções várias; — não meramente em sua imagem política, de governador desse mundo aqui de baixo, tendo "domínio sobre os peixes do mar, e sobre toda a terra"; — mas, principalmente, em sua imagem moral; que, de acordo com o Apóstolo, em (Efésios 4:24) "E vos revistais do novo homem, criado segundo Deus, em justiça e retidão precedentes da verdade". Nessa imagem de Deus o homem foi feito. "Deus é amor". Por conseguinte, o homem de sua criação era cheio de amor; que era o princípio único de todo seu temperamento, pensamentos, palavras e ações. Deus é cheio de justiça, misericórdia, e verdade; de modo que assim era o homem, quando ele veio das mãos de seu Criador.

Deus é imaculadamente puro; e assim o homem era, no início; puro de toda mancha de pecado; do contrário, Deus não o teria pronunciado, tanto quanto toda obra de suas mãos, "bem feita" (Gen. 1:31) "Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom". Isto ele não seria, se ele não estivesse puro do pecado, e cheio com a retidão e a santidade verdadeira. Porque não existe meio termo: se nós supomos uma criatura inteligente que não ame a Deus, que não seja reta e santa, nós necessariamente supomos que, afinal, não seja uma boa pessoa; muito menos, que seja "muito boa".

(2) Mas, embora o homem tenha sido feito a imagem de Deus, ainda assim, ele não foi feito imutável.

Isso teria sido inconsistente com o estado de experimentação, na qual Deus estava satisfeito de situá-lo. Ele foi, entretanto, criado capaz de permanecer nele, e ainda sujeito a cair. E isso o próprio Deus o notificou a respeito, e deu a ele um aviso solene contra. Contudo, o homem não subsistiu na honra: Ele caiu do seu alto posto. Ele "comeu da árvore que o Senhor tinha ordenado a ele que não comesse". Por esse ato proposital de desobediência ao seu Criador, essa rebelião clara contra o Todo-Poderoso, ele declarou abertamente que não poderia ter as regras de Deus sobre ele, por muito tempo. Que ele seria governado por sua própria vontade, e não a vontade Dele que o criou; e que ele não buscaria sua felicidade em Deus, mas no mundo, no trabalho de suas mãos. Agora, Deus disse a ele: "No dia em que comeres" daquele fruto, "tu certamente morrerás". E a palavra do Senhor não pode ser quebrada. Por conseguinte, naquele dia, ele morreu: ele morreu para Deus, — a mais terrível das mortes. Ele perdeu a vida de Deus. Ele foi separado Dele, em cuja união sua vida espiritual consiste.

O corpo morre, quando ele é separado da alma; a alma, quando ela é separada de Deus. Mas essa separação de Deus, Adão manteve nesse dia, no momento em que ele comeu do fruto proibido. E disso, ele deu prova imediata; presentemente, mostrando, por seu comportamento, que o amor de Deus fora extinguido em sua alma, e que agora era "alienado da vida de Deus". Em vez disso, ele estava debaixo do poder servil do medo, de modo que ele fugia da presença do Senhor. Sim, tão pouco ele reteve, até mesmo, do conhecimento Dele que encheu os céus e a terra, que ele se esforçou para "esconder a si mesmo do Senhor Deus, entre as árvores do Jardim". (Gen. 3:8). Assim sendo, ele perdeu tanto o conhecimento quanto o amor de Deus, sem o que a imagem de Deus não poderia subsistir. Disso, entretanto, ele foi despojado, no mesmo instante, e tornou-se impuro e infeliz. Nessa oportunidade, ele afundou no orgulho e vontade própria, a mesma imagem do diabo; e nos apetites sexuais e desejos; a imagem das bestas que perecem.

(3) Se tivesse sido feita apenas uma ameaça, 'no dia em que comeres dele, tu certamente morrerás', referindo à morte temporal; apenas essa; à morte do corpo, tão somente", a resposta seria clara: afirmar isso é positivamente e palpavelmente fazer de Deus um mentiroso; asseverar que o Deus da verdade positivamente afirmou o contrário da verdade. Porque é evidente que Adão não morreu nesse sentido, "no dia em que ele comeu do fruto". Ele viveu, ao contrário, novecentos anos mais. De maneira que isso não poderia ser possivelmente entendido como a morte do corpo, sem contestar a veracidade de Deus. Isto deve ser entendido, no entanto, como a morte espiritual; a perda da vida e imagem de Deus.

(4) E, em Adão, todos morreram; toda a espécie humana; todos os filhos dos homens estavam, então, na força motriz de Adão. A conseqüência natural disso é que cada um dos descendentes dele veio para o mundo, espiritualmente morto; morto para Deus; totalmente morto no pecado; inteiramente vazio da vida de Deus; vazio da imagem de Deus, de toda retidão e santidade, na qual, Adão foi criado. Em vez disso, todo homem nascido no mundo carrega agora a imagem do diabo, no orgulho e amor-próprio; a imagem da besta, nos apetites sexuais e desejos. Isso, então, é o fundamento do novo nascimento —, a corrupção total de nossa natureza. Assim sendo, que, tendo nascido no pecado, nós devemos "nascer novamente". Conseqüentemente, cada um que é nascido de uma mulher deve ser nascido do Espírito de Deus.